Como ser um Líder de Sucesso no Século XXI
Em entrevista exclusiva para a ZipCode, a Consultora Organizacional e Professora, Azizeh Emleh, fala sobre os principais pontos para desempenhar uma liderança de sucesso no século XXI.
Mestre em Administração pela Universidade São Marcos, formada em Administração de Empresa pela PUC SP, certificação em coaching pelo ICI. Consultora organizacional há 13 anos com experiência em desenvolvimento e aplicação de programas que visam desenvolver as competências do Líder e do Negociador.
Fornece consultoria na área de Gestão de Pessoas, Negociação e Executive Coaching. Empresas que desenvolve parcerias: UBF Seguros, Basf Indústria Química, MRV Engenharia, Casas Pernambucanas, Coopercitrus, Campagro, ZipCode e Almap BBDO. Professora no Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa em disciplinas de Liderança, Gestão de Equipes, Negociação Estratégica e Gerenciamento de Conflitos.
1) O que você considera ser um Líder atualmente?
O líder que promove a legítima gestão responsável: para isso, é preciso estar sustentado em princípios éticos e sob o prisma de futuro, ou seja, não priorizar o resultado imediato e o ganho pessoal, e sim o valor agregado de suas ações e decisões tanto em relação aos interesses financeiros da organização que dirige como, também, em relação às pessoas, sociedade e meio ambiente. A importância do líder responsável tornou-se explícita a partir das significativas mudanças no cenário econômico e político, que se iniciaram após a crise financeira de 2008, e que continuamos a vivenciar até os dias de hoje. A sociedade tornou-se mais consciente sobre os riscos de se priorizar o resultado imediato e a qualquer custo, cabendo aos líderes grande parcela da missão de gerar e perpetuar a prosperidade, a partir do desenvolvimento contínuo de seus colaboradores e de novos líderes, conscientes da extrema importância de seu papel.
2) Com tantas metas em um mercado extremamente competitivo, como um líder deve motivar uma equipe sem ser agressivo?
Diria que é um desafio, principalmente, para os líderes de empresas que atuam nos países emergentes e considerados “a bola da vez”. Em linha com a liderança responsável é preciso que o líder torne claras as regras do jogo, estabeleça um contrato sobre os critérios de desempenho e conduta aceitos e esperados diante do resultado a ser atingido. Para tanto, o líder deve levar em conta não apenas os objetivos estratégicos, mas a cultura que rege as relações na equipe que lidera. Se não estiver em sintonia com o “modus operandi” do grupo o líder poderá ser considerado ou agressivo ou até mesmo complacente. A perspicácia em saber até onde puxar o elástico sem estourar resulta do histórico de acertos, erros e celebrações que o líder construiu junto à equipe. Não há uma fórmula única, mas acima de tudo a relação de transparência e o grau de confiança construídos entre líder e liderados.
3) Qual o grande desafio do líder do séc. XXI/desta nova década? Como liderar/gerir uma equipe composta pela geração do séc.XXI?
Rever constantemente seu sistema pessoal de crenças, com disposição para dar novos significados e rever modelos, porque cada vez mais as estruturas organizacionais estão flexíveis, sem hierarquias de comando unilateral e com um mix de culturas provenientes de diversas regiões geográficas. Diante do novo o stress tende a aflorar, assim, o desafio está em desenvolver sua inteligência emocional e resiliência para estar apto a superar frustrações e suportar pressões, sejam internas ou externas. O líder do século XXI deve estar disposto a gerir uma equipe que questiona, deseja mudar, criar e empreender, instigando-a constantemente com perguntas que promovam o desenvolvimento do pensamento crítico e sistêmico pautados em valores do bem comum.
4) O que realmente uma equipe espera de um líder?
Tanto nas aulas ministradas no Insper quanto nos programas de consultoria em gestão de pessoas, os profissionais indicam esperar que o líder, acima de tudo, tenha coerência e consistência entre o que prega e o que pratica. Entre as expectativas mais freqüentes: que trate as pessoas com justiça, que não privilegie os que mais atendem aos seus próprios anseios, que reconheça e gerencie os conflitos nas relações interpessoais, e por fim estimular o desenvolvimento das pessoas, respeitando as perspectivas de carreira de cada um.
5) Quais as melhores ferramentas para auxiliar um líder na sua gestão?
Existem várias ferramentas que podem ser escolhidas, conforme a necessidade e realidade de cada empresa. Acredito na rica contribuição do feedback suportado por indicadores de desempenho quantitativo e qualitativo, que podem ser provenientes de sistemas como a Gestão por Competências. No entanto, mesmo que a empresa não adote esta ou aquela ferramenta de gestão, nada exime o líder da responsabilidade de elaborar, junto à equipe, seus próprios indicadores de desempenho. Deste modo poderá acompanhar com base em dados reais e fornecer feedback reajustando rotas, reconhecendo e elogiando resultados e condutas positivas. A coerência e a continuidade são fundamentais no uso de qualquer e toda ferramenta.
6) Você acredita no feedback de baixo para cima, do liderado para o líder? Não há o perigo deste levar para o lado pessoal/ego?
Sim, acredito. Frequentemente destaco o mérito do líder que solicita feedback junto aos seus colaboradores. Nos programas de Executive Coaching é crescente a nobreza de líderes, no papel de coachees, que definem para si o receber feedback da equipe como uma meta de desenvolvimento em seu plano de ação. É fácil? Não, nada fácil! O perigo do ego existe e depende do nível de maturidade do líder em lidar com seus medos e crenças aprendidas socialmente, tais como: “o líder não pode demonstrar fraqueza”; “é insulto à pessoa”, “feedback é sinônimo de erro”, etc. O caminho para a troca efetiva e legítima de feedback, seja de baixo para cima ou vice-versa, ou mesmo entre pares, só será aberto e sedimentado sob a visão da oportunidade do crescimento mútuo, seja pessoal ou profissional.
7) Como promover alguém em uma equipe de alta performance, sem desmotivar os demais?
A equipe é espelho do líder, cabe a ele deixar claro que uma equipe só obtém alta performance quando é regida por colaboradores que se complementam e que atendem critérios específicos de desempenho e conduta, tanto individuais como coletivos. Assim, há o reconhecimento de que todos são peças-chave de um mosaico sinérgico; o valor agregado provém de todos, porque o líder fomenta constantemente a motivação e o comprometimento em torno de valores compartilhados, que dão significado à energia que despendem no trabalho e que vai além da recompensa financeira ou do status. A partir dessas premissas não há o que temer, nem esconder. A promoção não será uma surpresa ou motivo de inveja.
8) Alguma dica importante para quem está liderando ou pensa em liderar?
Antes de mais nada, para liderar é preciso ser líder de si mesmo: confrontar seus medos, reconhecer seus anseios e talentos. A partir daí, pensar sobre a sua missão: o que de fato o move e dá sentido diante do ato de liderar, independentemente do crachá ou posição. É preciso querer ensinar, compartilhar poder e informação, e inspirar as pessoas a irem atrás de seus sonhos e ideais. É importante ainda ter clareza do legado que deseja construir junto às distintas comunidades das quais participa – colaboradores, pares, clientes, fornecedores e sociedade.
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